Presidiário se passa por juiz e pede R$ 1,5 mil em delegacia do Paraná

Preso de Roraima liga para delegacia de Curitiba, finge ser juiz e pede telefone de familiares de detentos. Na sequência, crime é descoberto por policial.

A Delegacia de Estelionato de Curitiba recebeu, na noite da quarta-feira (6), uma ligação de uma pessoa que se identificou como “juiz José Vagner, da 1ª Vara de Custódia de Curitiba.” Por telefone, a pessoa perguntou a quantidade de presos na delegacia, pede nomes e telefones de familiares de presos.

Por volta das 12h desta quinta-feira (7), uma nova chamada com prefixo de Roraima foi realizada para a delegacia e para o Fórum. Segundo o escrivão de Polícia Carlos Ademir da Silva, um alerta foi emitido para que nenhum policial caia na tentativa de golpe por falsidade ideológica. As ligações foram atribuidas, de acordo com o Setor de Inteligência da Delegacia de Curitiba, a um detento de um presídio de Roraima.

Trechos da publicação do delegado Rodrigo Souza
(Reprodução Facebook)

Segundo o delegado Rodrigo Souza, a equipe finalizava o registro de outra ocorrência quando recebeu a ligação. “Desconfiando da narrativa e do contexto (dificilmente um juiz liga em uma delegacia), demos um telefone de um integrante da equipe como se fosse parente de um dos presos”, publicou o delegado em suas redes sociais.

O escrivão de Polícia, que atendeu a ligação, afirma que a pessoa ao telefone insistiu para ter as solicitações atendidas. “Ele pediu números de presos e como tínhamos duas pessoas presas na delegacia, falamos num primeiro momento que íamos digitalizar o processo e enviar para o Fórum. Ele pediu novamente as informações por telefone”, diz o escrivão.

Tempos depois, afirmou o delegado, o número informado pela equipe recebe uma chamada de um telefone com prefixo de Roraima. A pessoa teria se apresentado como oficial de justiça e pedido que fosse depositada uma “fiança judicial em conta judicial” por ordem do juiz José Vagner. “Só assim o parente do preso seria liberado”, teria afirmado a pessoa no telefone.

Silva afirma que a pessoa enviou o número de uma conta e de uma agência da Caixa Econômica Federal de Fortaleza. Com essas informações, deveria ser realizado um depósito de R$ 1.500,00.

O delegado afirmou que após ouvir a deliberação do juiz, o suposto juiz foi interrompido. “Interrompemos o ilustre representante da massa carcerária e perguntamos se a cela estava cheia e se estava calor em Roraima”, publicou em suas redes sociais.

Segundo o delegado Rodrigo, essa foi a primeira vez que houve a tentativa de aplicar um golpe de estelionato e falsidade ideológica em uma delegacia especializada. O escrivão Carlos afirma que assim que o suposto juiz foi questionado, desligou o telefone. “Passamos alerta para a rede para que nenhum colega caísse no golpe”, disse.

O Tribunal de Justiça do Paraná informou por meio de nota e por telefone que não há registros de magistrados de nome José Vagner. Segundo o TJ-PR não existe a 1ª Vara de Custódia de Curitiba. O nome correto é Central de Custódia.

Reproduzido na íntegra do R7