Jovem é estuprada 43 mil vezes. Inclusive por padres, policiais e juízes

Com apenas 12 anos, Karla Jacinto, natural do México, foi vendida pela família como escrava sexual a um traficante em troca de algum dinheiro e presentes. Durante quatro anos, foi forçada a manter relações sexuais com 30 homens por dia e sofreu na pele os horrores do tráfico humano. 

Hoje, aos 24 anos, a jovem é ativista dos Direitos Humanos e viaja por todo o mundo alertando para os casos de escravas sexuais no México. Nos anos que viveu assim, em Guadalajara, foi obrigada a prostituir-se. Karla estima que tenha sido violada “cerca de 43 mil vezes”. Foi salva em 2008, durante uma operação de combate ao tráfico de pessoas no México. 

Depois de se recuperar das profundas cicatrizes emocionais que marcaram a adolescência que lhe foi roubada, Karla Jacinto quis ajudar outras garotas que passam pelo mesmo. A CNN descreve o percurso “brilhante” da jovem mexicana, que até já foi recebida pelo papa Francisco no vaticano para discutir a crise do tráfico humano no seu país de origem, que atinge mais de 20 mil mulheres todos os anos. 

“Me batiam. Me espancavam. Com paus, cabos, correntes. Havia quem risse de mim porque eu estava chorando. Tinha que fechar os olhos, para não ver o que faziam. Fui estuprada por polícias, juízes, padres. Achava que todos eram asquerosos”, descreve Karla Jacinto à CNN. Com o seu poderoso testemunho, a ativista espera que as organizações internacionais trabalhem cada vez mais na resolução do flagelo, não só no México, como em todo o mundo.